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quinta-feira, 24 de março de 2016

Octogésima-quarta noite – Sexo Sem Amor

Imagino uma sala [luxo e cortinas e colchões] com a placa No Love Allowed – coadjuvada e explicada pelo anúncio em português Sem Amor Com Camisinha. No centro, o principal – uma mesa redonda [a forma é fundamental] de madeira muito reforçada [a razão virá logo depois] coberta por um colchão macio damasco [não tenha menor ideia por que essa cor].

Em volta da mesa cavalheiros [altos e baixos, louros e morenos, calvos e cacheados] e nessa diversidade toda só um elemento em comum – os falos muito duros, horizontais, ameaçadores.

Entre a mesa e os cavalheiros, um outro círculo – o das damas: algumas de cinta-liga, ou de vestido arregaçado até umbigo, outras com bermudinhas puxadas aos tornozelos.

Piscando umas para as outras, as damas começam a ação – debruçam-se sobre a mesa. Entre as coxas suaves tiras negras, ou alouradas, ou até arruivadas, surgem.

Os cavalheiros inevitavelmente imitam mais ainda barras de ferro e os doces buracos são penetrados, sem nenhum quede sem sua devida tampa. Olhos reviram e um par de gritos ressoa.

Seguem-se os tradicionalíssimos movimentos de entra e quase sai. Algumas olham para o olhar transtornado de delícia da vizinha.

A um sinal os cavalheiros saem. Tiram plastificação velha, trocam por outra. E penetram a fenda da mulher ao lado – todos trocam de companhia. Mais gritos.

Ali só não se sabe o que é Amor. Talvez alguma marca de refrigerante. 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Sexagésima-nona noite – Duas vezes Sessenta e Nove

Sou ciumenta [nunca dividiria Marlos Roberto com ninguém] e tenho oculta vocação para atriz. Descobri esses dois fatores naquela noite em que saí com Marlos Roberto e minhas amigas Lenilda e Neila e os números meia e nove pareciam nos perseguir: no nome do bar [69 beers ou parecida coisa], no preço das batatas fritas e até nos sete cálices de vinho que entornamos, dos quais um derramou um pouquinho.

Foram esses vinhos que nos subiram à cabeça e lá me deram ideia – que tal passarmos o resto da noite em um motelzinho? Deixei firme que só eu faria algo com Marlos Roberto – o resto seria torcida.

E minhas amigas constituíram boa a torcida – a assistir o espetáculo - em pouco eu e meu noivamante servíamos de cobertor um para o outro – ele cobertor de baixo eu cobertor de cima – ele a fazer explorações com o nariz entre minhas coxas – eu a agasalhar seu falo entre meus lábios de batom gloss red.

E do palco eu [atriz] dava olhadelas à plateia. Em um primeiro momento minhas amigas riam e os olhos duplicavam de tamanho e brilho. Depois, a mão de Lenilda alisava a coxa de Neila, que dava o troco acariciando o pescoço da outra. Depois ainda o sutiã da minha amiga Lenilda já mandara lembranças, e pude apreciar a belíssima cor verde-turquesa da calcinha de Neila. Calcinha essa que em instantes desaparecia, assim como qualquer pano sobre o corpo de Lenilda, e minhas duas amigas [cachorrinhas famintas] lambiam-se sofregamente uma à outra.

Concluí que [não sem alguma crueldade] eu eletrizara minhas amigas, e meu ciúme as forçara a se consolarem como podiam. Foi assim que fizemos a conta 138 = duas vezes 69.